JNV ANO ll nº 663 JAPARATUBA (SE)
NÃO DÁ NEM PARA ESPERAR SENTADO
*Um mito de indignação e revolta acompanha os usuários do transporte intermunicipal do interior sergipano. Além de ter que lidar com um sistema ineficiente, os cidadãos convivem com a falta de terminais rodoviários e são obrigados a esperar sem o mínimo de dignidade.
Não há acesso a água ou banheiro e, muito menos, assentos onde possa aguardar a hora da viagem. assim,o simples direito de ir e vir garantido pela Constituição federal, acaba se transformando em um verdadeiro martírio.
O Cinform visitou oito municípios e pôde comprovar: a última coisa que os sergipanos têm ao viajar é respeito.
De Aracaju a malhada dos Bois, por exemplo, só as cidades de Laranjeiras e Rosário do Catete possuem um terminal rodoviário. Em Maruim, no Leste de Sergipe, quem precisa deixar a cidade quando o transporte público se divide entre dois pontos: Um terminal velho , que fica logo na entrada da cidadee outro ponto na Praça da matriz.
Esse pequeno ponto de ônibus único construído na década de 80, o que se vê é só defeito. A estrutura de ferro está se perdendo na ferrugem. O teto está todo retorcido, quase caindo. Os bancos, em quantidade insuficiente para os usuários, estão, na maioria, precisando urgentemente de reparos.
A servidora pública Raquel de Araújo, moradora da cidade de há mais de 26 anos, diz que é necessário até se proteger debaixo da cobertura do terminal quando chove. "O vento bate a gente fica apreensivo, esperando a estrutura cair. Isso é um absurdo e ninguém faz nada", critica.
TINHA, MAIS ACABOU
Se quem nunca pode esperar pelo ônibus em uma rodoviária sente falta dela, pior é vê-la se acabar. É o caso dos moradores de Carmopólis . O antigo terminal foi demolido há dois anos, para a construção de uma praça.
Desde então a população tem que esperar pelo transporte em um espaço pequeno, em frente ao Mercado Municipal. "As vezes, o cheiro é insuportável. É muito desconfortável esperar aqui. Mas, até hoje, ninguém sabe explicar por que não há mais rodoviária", lamenta a dona de casa Carla do Nascimento, que precisa utilizar o transporte de quatro a cinco vezes por semana.
Em Japaratuba, não é diferente. Quem chega à cidade, logo se depara com um grupo imenso de pessoas esperando por transporte ao relento. Muitos se amontoam à beira da pista; outros, porém, sentem em um dos bancos instalados em uma pequena galeria.
Eles foram colocados ali justamente para que as pessoas não ficassem esperando em pé. Mas só espera sentado quem chega mais cedo ao terminal improvisado.
No local da antiga rodoviária, foi construída uma praça de eventos. Segundo Suzaneide da Silva, que trabalhava vendendo passagens - mas, desxde a demolição do prédio, está desempregada -, até um abaixo-assinado com mais de quatro mil assinaturas já foi entregue à Prefeitura da cidade, solicitando a construção de um novo terminal.
O esforço, porém foi em vão. Ela diz que só resta à população esperar "com a cara para cima", debaixo do sol forte ou de chuva. "As pessoas não têm nem a quem pedir informações. Além disso, sem um terminal, não há como fiscalizar o número de passageiros transportados ou mesmo se respeitam a prioridade para idosos e deficientes", ressalta Silvaneide.
A poucos quilômetros dali, em Capela, a história se repete. A única rodoviária de que a cidade dispunha caiu aos pedaçõs. A estrutura não suportou as décadas de uso sem passar por qualquer manutenção.
Atualmente, onde funcionava o terminal, há apenas um terreno, onde a Prefeitura deixa estacionados os ônibus que fazem o transporte escolar. Em frente ao que era a rodoviária, as cooperativas de transporte alugaram uma casa que serve de amigo aos pasageiros - antes, eles ficavam à espera também nas calçadas.
Com a proximidade da festa de São Pedro, a situação fica pior. A cidade enche de turistas e não há um poonto de apoio para eles pedirem informação", comenta a estudante Josilene dos Santos.
Ela diz que que sente até vergonha em morar numa cidade que não tem rodoviária. "A gente até já se acostumou com esse descaso. Mas, quem vem de fora, fica perdido pelas ruas, pedindo informação. É um absurdo", diz.
* Matéria extraída do Cinform 24/06/2012


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